domingo, 27 de janeiro de 2013

Um amigo desconhecido


Tamara C.
A pergunta que se pode formular pelo titulo é:existe amigo Desconhecido?!.A ideia que temos de amigo, é uma ideia acumulativa;aquela onde a amizade deve ser construída por muitos anos e onde a confiança deve ser a estrutura,o alicerce.Descobri nesta semana,que um amigo se faz por alguns instantes,a partir daquilo que ele quer expressar para nós e por nós e através da necessidade que temos.

Era apenas uma das muitas tardes para mim onde não tinha planos sobre o que fazer...e nem sobre o que escrever para este dia.Tudo começou quando saí de casa por volta das 14:00hs,muito sol que chegava a arder ,peguei os meus amigos que sempre me acompanham e me levam para outro mundo mais lindo,mais colorido e como diz a musica ‘’mais cheio de graça’’;os meus livros...Chegando na ‘pracinha’ perto da minha casa(onde era a única opção mais perto para me desestressar e pensar um pouco mais,e o lugar onde o  contato com a natureza me faria bem)sentei,pensei,pensei e pensei,sobre alguns dos meus planos que estariam em ‘’jogo’’ e que,se não tomasse uma decisão e uma providencia seria tarde demais.

Enfim...foi nesse inicio de tarde que estava eu,introspectiva em meus pensamentos e com os olhos brilhando fundada em mim mesmo,e de vez em quando virando a pagina da ‘menina que roubava livros’ e foi nesse momento que levantei a cabeça e vi um tipo de pessoa fardada,um policial,moreno,de meia-idade,simpático e com a aparência bem tranquila(que já me  transmitiu uma boa energia)estando ele em minha direção veio me perguntar sobre uma curiosidade;se eu era a pessoa que toda tarde iria naquele local e naquele horário ficar de frente ao sol(bem a minha postura naquele instante) objetei que ‘não’.Então,me disse que eu estava com uma ‘carinha’ triste e me perguntou o que se passava,eu meio dividida entre falar e não falar,percebi que ele queria me ajudar;então decidir falar e saber ate que ponto ele poderia me ajudar.

Entre esse falar e não falar,acabei falando e tivemos uma ótima e interessante conversa,percebi nele uma pessoa tão paciente e que sabe ouvir(diferente de mim) e me deu certos conselhos sobre a minha situação,dizendo ‘não desista irá dá tudo certo’,você ainda é muito nova para se estressar com essas coisas,creia que tudo estará a seu favor’...E eu,ouvindo aquilo pensei em minha intenção(momentos antes) de ir para aquele local,era a intenção de apenas me ver só,pensando em mim mesma,sem ouvir ninguém e as palavras que esse desconhecido amigo me disse;mas,essas palavras me tocaram como se ele soubesse no intimo a dimensão da minha dor e da minha angustia.

Conversa vem e vai,pegou os meus contatos e disse:’irei lhe ajudar,estarei torcendo por voce’.Nesse instante o meu coração bateu mais forte e se encheu de alegria como se aquilo que eu tinha acabado de ouvir,me tranquilizasse;percebi que nao há nada mais,tão maravilhoso do que você ouvir alguém(seja quem for)e esse alguém te ajudar de uma forma que so você sabe,pois so você conhece a sua situação.Aquela pessoa me ajudou e muito,não com o que estava precisando naquele momento,mas na reação que aquelas palavras me causariam.Depois se despediu e só ouvir os seus passos seguindo para alguma direção.

Refletir que um amigo,não precisa ser de longas datas,ter longas historias,confiança,ou um conhecimento vasto sobre tal pessoa;descobrir que um amigo se faz em apenas 5 minutos,pois não é preciso saber a fundo do que ele pensa ou seja.Se adota um amigo quando se percebe que ele em algum momento da sua vida foi útil e amável.Denomino isso como um amigo temporário,porém não deixa de ser um amigo.
Penso que por mais intensa que seja a dor,sempre existirá algo que lhe levara a enxergar um lado  bom dessa dor.E esse ‘amigo’ me fez enxergar o quanto a dor significa vida.Lembrei do livro do renomado e conhecido jornalista Phlip Yancey,onde ele relata em uma de suas viagens,sobre a dor;que a dor significa vida,quando não a sentimos estamos mortos,pois so existe dor quando existe vida.E de fato ele esta certo,a dor nos garante que mesmo com ela,podemos existir,suportar e superar.

O meu amigo desconhecido apesar de ser policial(pois odeio autoridades que abusam do poder através da  violência como ‘o aparato ideológico do estado’ como disse Karl Marx) ele foi compreensivo.Em qualquer lugar se pode encontrar e fazer um amigo,basta expressar ser você em qualquer momento.Diante de tudo isso,descobrir que existe vários tipos de amigos,aqueles que amamos,que confiamos,que são bonitos,mas na minha categoria inclui mais um tipo:O amigo desconhecido,temporário e significativo.

domingo, 20 de janeiro de 2013

O Carnabalismo



Tamara C.
Está chegando, uma das festas mais animadoras do ano para o povo brasileiro:A festa carnavalesca ou como eu denomino de Carnabalismo.Fico estarrecida ao ver o povo saindo de suas casas para outro estado á procura de um prazer instantâneo ou propriamente um hedonismo.Rostos estampados não só de alegria,mas de maisena,olhos brilhando não de emoção,mas de alcoolismo e me ponho a pensar como é viver todos os elementos desta dita ‘felicidade’.

O conceito de felicidade,ou mesmo viver a felicidade esta ligado hoje,neste mundo moderno ao prazer,a instantaneidade,a carnalidade,a sexualidade.E ser feliz hoje é uma questão de obrigatoriedade,quem não a tem,não merece viver é como se tudo o que fosse contrario a ela,fosse questão de infelicidade.Muitas das vezes as alegrias se encontram em um momento de tristeza,de morte ou de angustia,basta encontrar nessas dificuldades um motivo de ser feliz.

Voltando a ‘festa da carne’ não há como tentar entende-la,sem se perguntar,se as pessoas que fazem parte dela,realmente são felizes ou procuram ser.

Todo ano milhares de pessoas nessa tal ‘festa’,morrem,se prostituem,se escravizam por um momento que não vale e nunca valerá a pena;e ainda se acham felizes em viver tudo isso?!.Fico a me perguntar se a prostituição é coisa boa( se fosse,a sociedade não reprimia) e se ser escravo é digno.(se fosse a historia não combatia).Em meio a tudo isso,que felicidade é essa que mais aprisiona em vez de libertar?.

Penso que o carnabalismo, além de ser o consumismo da carne,ou mesmo a devoração dela,rouba  a felicidade,rouba o senso,rouba o verdadeiro sentido de ser feliz e faz com que,encontre alegria em sexo,bebidas e em apenas... 5 dias... Até por que,a própria felicidade precisa ser construída e não procurada,não se procura o que não se fez.E o que não se fez não se tem.Isso tudo,nada mais é do que uma alienação prazerosa que entorpece os indivíduos ou festeiros com uma ‘porção’ de se tornar(em alguns instantes) um  sem noção.

Cheguei à conclusão de que as pessoas que saem a procura desse hedonismo,são pessoas que não construíram sua felicidade e preferem busca-la em uma festa onde a terão em apenas alguns dias,buscam em seres inanimados como bebidas,festas...é como se a vida fosse vivida alegremente por cortes...É uma festa de todas as carnes,de todas as misturas,raças,cores,de todo os suores conseguidos nas danças,no samba,uma festa idolatra...Porém o único suor’ que esses festeiros conseguem,não é se esforçando em buscar uma felicidade constante é pulando,dançando e se entrelaçando na ‘Festa do Açougue’...

Viva o carnaval de todas as carnes!