domingo, 16 de fevereiro de 2014

Uma manifestação, uma morte e um fato

O acontecimento que ocorreu nesta segunda-feira, 10, onde um rojão atingiu a cabeça de um cinegrafista da Tv Bandeirante, Santiago Andrade foi comovente. Varias manifestações que tem acontecido neste Brasil, desde junho do ano passado, tem provocado celeumas e atentados. Foi o que aconteceu no dia 10. Um jovem chamado de Caio silva atacou (pelos seus relatos, talvez não intencionalmente) um representante da tradicional imprensa enquanto trabalhava.

Jornais de todo o mundo, alegam a impunidade e o algoz cometido pelo jovem que matou um pai de família; a imprensa e atingiu a democracia. Mas, relatos jornalísticos hoje não são de ser muito confiável quando o fato, atinge a própria imprensa. É de se esperar e deve ser justo, que todo cidadão que cometa algum crime; alem do mais, tirando a vida de outrem pague pela sua ação, mas quando se diz respeito em discutir juízos de valores no campo minado que é o da imprensa, na verdade aquele que paga pode ser também a vitima.Ou seja, o que é normal pode ser o avesso.

As manifestações integradas por jovens de classe média que reivindicam por melhorias na saúde, na educação e na política do país é mais do que um direito de liberdade em expressar o que os incomoda, e aliviar a insatisfação com os políticos brasileiros do país. Mas, o problema mais agravante é que elas deixaram de serem insatisfações para ser um campo de guerra onde a injúria passou de uma escala de apenas reivindicar para expressar a calamidade que o país vive hoje; passou a ser um campo de manifestações do Irã, onde rojões, armas, bombas e pedras tornaram-se a melhor arma para se fazer ouvidos por seus governantes. Porém, ações como essas, destroem os patrimônios e matam pessoas, pessoas como o cinegrafista, Santiago Andrade.

As televisões, principalmente a grande globo, não deixou em momento algum, o jovem ‘matador’ se pronunciar, falar da sua revolta, do seu posicionamento, agora ele virou um demonizado da própria imprensa, aquela [imprensa] onde cobria com maior empolgação as manifestações de junho, onde participava (também) falsamente da liberdade de melhorias. O único pronunciamento dele, do Caio Silva, foi em off, onde os repórteres descreveram o que ele disse, mas não o que ele pretendeu realmente falar.

Agora fica a grande questão, quem realmente é o culpado. Não estou falando da morte do cinegrafista e nem da prisão do jovem Caio silva, mas quem é o culpado de tudo isso. Se pensarmos os fatos na versão avessa, veríamos que se o Brasil tivesse em condições de pensar não na copa, mas na vida de milhares de brasileiros que morrem de fome, por não ter saúde, analfabetos por não terem educação digna, jovens como este, caricaturado pela imprensa, não estariam na rua para levantar a voz e pedir socorro e muito menos o pai de família, estaria na rua tentando retransmitir á população uma cena que expressa insatisfação, mas que expressa também, terror. Terror que mata, terror que incomoda.

São dois contextos que poderiam ser melhorados se a política brasileira atendesse as condições precárias do Brasil e se os jornalistas fossem amparados pelo governo de forma que não ferisse a sua liberdade de voz e de vez. A maneira que realmente pudéssemos nós jornalistas, viver em uma democracia plena que elevasse o nosso país a uma situação de governança humana e digna.


Retorno aquilo que a imprensa não se perguntou nas linhas de seus jornais. Quem realmente é o culpado? Será que é o jovem? Quem realmente paga por isso? . O papel do jornalista não é fazer juízo de valor, é questionar e se perguntar assim como a família do Caio Silva, realmente ele é o culpado? Ou existe uma questão mais funda por trás de tudo isso? E isso apenas comprovou o que se estrutura atrás das cortinas dessas manifestações. Somos um país onde o culpado não se acha e a culpa não se encontra.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Tilintar de um novo dia


A manhã nem bem começa e o sol mal começa a raiar, ouço de longe com a audição  aguçada, o tilintar metálico do carro que passa avisando que o gás está passando.É um som inédito,variando do mais agudo para o mais grave do menos intenso para o mais intenso, do mais fraco para o mais forte.
Para ele, o dia já começou bem cedinho. Não importa quem esteja em um ato notívago do dia anterior, difícil quem não o escuta. Um despertador tão sinfônico que nos acorda para o dia de labor, para um novo tilintar do dia.

O som nada mais expressa ‘’O gás está passando’’. Moda antiga essa, de chamar as donas de casa para comprar o seu combustível do dia a dia.

Essa minha nova casa, me possibilitou ver mudanças e atos extraordinários, como se me levasse a um tempo ausente hoje, tempos que viraram capítulos em livros de histórias.A minha comunidade, soa harmonia e ritmo, se não é o gás que passa pela manha bem cedo, é o sino da igreja que ás 18:30h avisa que o dia está evadindo e á noite se apresentando.

Não há diferença nos sons, mas no ritmo que badala no começo do dia ao começo da noite. Que comunidade conservada quantos aos seus costumes históricos e comunitários.


Hoje, penso que cada mudança traz boas novas e tempos vindouros. Viva a expressão musical melódica da minha comunidade!

terça-feira, 25 de junho de 2013

Festa Junina é Cultura

Tamara C
Junho é um mês muito festivo e dançante. Nele se vê as bandeirinhas coloridas nos altos das casas e das ruas, começa–se a montar as casinhas com palhas de coco, a lenha já está preparada para aumentar o fogaréu na fogueira, as brincadeiras dependendo da região já estão se preparando, as comidas típicas cheiram de longe, com suas origens de todos os cantos.Isso é festa Junina, mas será que isso é são João, é dar um incentivo as culturas regionais?

Em minha última viagem a cidade que sedia uma das maiores festas juninas regionais, no estado do Rio Grande do Norte, Mossoró, percebi uma cultura junina comemorada de forma diferente das demais, brincadeiras diferentes, comidas diferentes, mas com a mesma decoração e o sentido do mês junino; o são João.Mas, muito mais que abrir um espaço para convivência junina e ouvir músicas regionais percebi um entretenimento com conhecimento, até mesmo por que se confunde muito entretenimento apenas com diversão sem levar em conta que o entretenimento pode ser aliado ao conhecimento, e se faz cultura dessa forma, se divertindo mas, abrindo um grande leque de conhecimento ao público.

Foi em Mossoró que percebi peças teatrais estimulando a cultura, falando sobre a fundação da cidade, sobre o grande cangaceiro, Lampião, em uma praça linda tendo a igreja como palco e toda a rua como arquibancada, um musical lindo denominado como ‘’chuva de bala no país de mossoró’’, coisas essas que não se vê em São Luis, alem de que em cada ponto turístico da cidade se via uma manifestação cultural, um showzinho ali, uma apresentação ali, coisa bem estruturada e uma ar de cultura na atmosfera.Ali eu vi se pensar sobre cultura e se fazer cultura.

Coisa rara de se encontrar em São Luis e pode ser também que até em outras cidades, o São João devia ser mostrado não como uma farra que se comemora no mês de junho, ou mesmo uma bandinha famosa que vai se apresentar. E muito menos como um espaço que é aberto com algumas barraquinhas para vender certas comidas  típicas.É hora de se pensar cultura, o povo deve voltar dessas festas depois de uma bela apresentação ou mesmo informação sobre as festas juninas da sua cidade e de outras cidades, o motivo do porquê em se comemorar o são João; pois o povo esta indo comemorar o que não se sabe, para eles não importa a historia de nada, importa é a celeuma que se faz em meios a muitos arraias.

Se é para gastar dinheiro público com algo que diverta o povo, que seja com conhecimento e um conhecimento de cultura de massa, investir na cultura regional é tão importante quanto ao conhecimento dos direitos  que cada cidadão deva conhecer.Conhecer sua cultura é ter liberdade de se identificar, se conhecer, se libertar.Pois é a historia de um povo que conhece sua nação.
A mídia, o governo e o próprio povo deve passar a se preocupar com isso, o mês de junho não sedia apenas a comemoração do São João; é uma extravagância de cada cidade, de cada regionalidade, de receber turistas para conhecer suas peculiaridades e singularidades, é culturar (neologismo meu) com conhecimento.


Por isso, antes de visitar um arraial, procure conhecer e se divertir com toda a liberdade que você como cidadão tem de conhecer como morador de sua região e de sua localidade. Viva o São João, mas viva muito mais a cultura junina, cultura do povo!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Por entre estradas

Tamara C.

Ultimamente tenho me tornado uma turista amadora e constante. Entre estradas  e cidades tenho conhecido, povos longínquos e cidades quase inabitadas E com essas viagens de idas e vindas, tenho conhecido um pouco da extensão do meu Maranhão.

É incrível como existem lugares nunca antes habitado, nunca antes falado e que  nunca antes a imprensa  tem pisado por lá.Entre essa viagens tenho conhecido um Brasil imenso, cheio de terras, de mata de sabores, de cultura de pobreza muita pobreza.

Entre a janela do  ônibus vejo uns casebres bem ao longe, quase imperceptível, umas casinhas compostas de palhas, uma janela, algumas peças de roupas no varal, umas crianças nuas sem pudor de que estão sendo observadas, uma bicicleta, um jumentinho para ajudar na mobilidade, uma vida simples, sem nenhuma necessidade de shoppings, cinemas, lojas e ,mais lojas de  butecos, sem necessidade da modernidade.Por que o que eles precisam mesmo, é uma vida de qualidade dignamente.

Não deixei de perceber que apesar de todas as dificuldades de mobilidade e de vida, viver longe da vida corriqueira da cidade é muito bom, pois proporciona uma vida mais tranquila, mais longínqua de tudo que conhecemos como urbano.


Apesar de ser cansativo viajar pois,  o lugar que se quer chegar esteja ainda tão longe, mas vale a pena, conhecer vida nova, lugares novos, cidades novas, e ter um olhar de uma jornalista de que oportunidades como essa, já é um aprofundamento eficaz  para uma grande reportagem .

sábado, 8 de junho de 2013

Dia sem luz

Teodora C.
Gosto desse não som, desse não barulho, desse silencio, que no inicio de um dia para outro tudo para, tudo se posiciona e se acomoda.Os únicos sons ouvidos é som do próprio interior que bate assim bem devargazinho o ‘’tum tum’’, é o momento que eu mais me ouço, mais me analiso mais me entendo.

O melhor momento para uma leitura, pois ninguém irá lhe incomodar, o melhor momento para entrar em um sonho lírico e extasiante, voar alto em seus pensamentos e refletir,refletir e refletir.

É um momento intercalando o dia anterior e o dia que já vem chegando de mansinho, cada vez mais tranquilo, sem pressa de sair de um dia para o outro.É então, um momento de ser noite.

É nesse momento notívago que a cidade para calada, como se o dia não tivesse sido tão corrido e conturbado..é o momento de parar, calar e analisar...

A noite me faz enxergar muito mais que um dia sem luz, um dia onde a própria escuridão se torna luz e a própria calmaria da noite vai se tornando em calmarias mais agitadas, dando o sinal de que o dia já chegou e que a vida mais uma vez continua com barulhos de  uma noite acordada.

domingo, 2 de junho de 2013

A Imprensa hoje.

Tamara C.
Não irei me remeter a uma alusiva história da imprensa, ou mesmo aos seus processos e benefícios para a sociedade. Mas, na estrutura e na propriedade ideológica que a imprensa tem se fundamentado nos últimos séculos. É visível perceber que a mídia, por mais que, não realize a função da imprensa, cita seu nome comumente, não pelo papel de repensar sobre ela, mas até mesmo de torna-lá publica para seus apreciadores.

Ultimamente, venho me questionando sobre o que seja a imprensa nos tempos de hoje, como jornalista estou inserida (ou mesmo devo estar) nesse meio, o qual, muita vezes causa mais dúvidas sobre sua existência do que certeza.Sei definir com exatidão o que seja imprensa nos tempos de Gutemberg; criador da imprensa móvel, um processo gráfico originado no século XV para imprimir jornais, revistas e folhetins.

A historia existe para esses detalhes de clareza do passado, e é uma das ciências que poucas vezes falha devido ao arquivamento de relatos e de veracidades que prioriza. Saindo um pouco da história ‘’passada’’ e se voltando para uma análise não tão antiga ou distante da nossa realidade, sugiro conceituar o termo imprensa nos dias de hoje.O que é imprensa, para que serve, e qual sua função perante o papel da comunicação?

A notoriedade com que a imprensa vem se consolidando em uma sociedade tecnológica e informativa, não tem sido das tão boas, ou mesmo fidedignas; A imprensa por ser um órgão comunicativo e disseminador de informações, tem tornado público histórias inverídicas fundamentadas em conteúdos irreais e ideológicos.

Ela própria não tem refletido sobre seus impactos na sociedade, suas publicações, os profissionais que ela tem colocado em seu meio, o teor de noticia pautado e a relevância que tem dado para os fatos. Elencando tudo isto, uma coisa me vêm á mente, o que é fazer imprensa em uma modernidade tão evoluída tecnologicamente?

Assim como, a sociedade tem mudado desde a existência do homem, e bem como, a história tem se complementado com essas evoluções; a imprensa não tem mais o valor que se tinha no século XV, nem mesmo os iguais colaboradores.Mas uma coisa é certa quanto a ela, neste começo de mês que se comemora o mês da imprensa , é necessário que todos os órgãos públicos e que toda a sociedade faça ciência da sua existência, do seu papel e do seu comportamento perante a sociedade e o mundo.

É importantíssimo, que nós considerados jornalistas, cidadãos exijamos dos meios comunicativos e da nossa própria mente, um novo repensar sobre as práticas comunicativas e sobre esse meio midiático que tanto mais nos torna alienados do que nos instiga a pensar sobre uma imprensa que luta pelos nossos direitos e anseios, por nossas praticas e almejos.

Viva a imprensa e o seu papel fundamental que teve de inicio no século XV, mas viva muito mais um nova perspectiva sobre ela, pois as coisas mudam, a sociedade também, e a imprensa por nós deve mudar!


domingo, 19 de maio de 2013

O universo sem prática


Tamara C.
Não é de hoje, que a educação brasileira apresenta falhas no seu sistema educacional; desde o entendimento do homem em criar uma instituição e fazer dela um espaço onde o conhecimento poderia ser debatido e a vida social mais harmoniosa, as coisas só pioraram.

As chamadas universidades, onde os alunos são selecionados para uma enfadonha prova de ‘’passa quem mais souber’’ são submetidos desde já às falhas dos sistemas educacionais brasileiros, onde as fraudes e os erros de correções são bastante nítidos. Passando por essa fase tem a do encontro com o novo ambiente, o choque de prédios antigos, infiltrados, uma estrutura precária e desoladora, sem falar na relação entre aluno e professor, onde a existência de profissionais qualificados são cada vez mais escassos, raros e deficientes na questão teoria e pratica do conteúdo.

Onde colocar em pratica, ou mesmo onde ‘experimentar’ um conteúdo de cerca de duas horas de aula, onde o professor mais fala do que expõe? .O que fazer com tanto conteúdo disseminado nas universidades e escolas á fora?


Sempre soube nas próprias universidades estudando os grandes pensadores, que teoria se alia á prática, porém onde se vê nas universidades brasileiras conteúdos dado em sala de aula, serem consolidados em algo mais concreto e palpável? .O certo é que as universidades de hoje não estão suportando os discentes quanto mais terem recursos suficientes para aliar a extensão acadêmica a uma vida mais real ou mesmo verossímil.

A ideia de universidade perpassa em seu sentido muito mais que um espaço físico exorbitante; é um espaço universal de conhecimento onde todos aprendem de uma forma igualitária e digna e onde as ideias debatidas são iniciativas e acabativas. Não sei se é mal de brasileiro, mas somos pessoas mais iniciativas que acabativas, pensamos aqui e realizamos lá para fora, justamente por que o que pensamos nos limita a consolidar aqui, por falta de recursos e de uma excelente estrutura brasileira. Não é diferente no quesito educação.

Acadêmicos saem do Brasil com o incentivo do próprio Brasil, para estudar lá fora, o que temos aqui não suportará o tanto de estudiosos que querem praticar ou mesmo, experimentar o que aprendeu. Pois o seu próprio País prefere investir do outro lado, em um país de caminho mais desenvolvido.
Não sei ate quando as universidades estarão lotadas de alunos fincados em quatro paredes, ouvindo professores falarem mais de uma hora, lendo textos desconexos, conteúdos longe de serem praticados e vida acadêmica em falhas.

O fato é que o didatismo passou longe de muitos professores e o tópico educação passou longe do interesse de muitos políticos, investir em educação em laboratórios acadêmicos, dinamizados, modernos e qualificados o Brasil não quer, prefere investir e exportar para outros países, com o discurso que é um grande país em desenvolvimento. Ate quando alunos como eu, ouvirão e ouvirão, lerão e lerão e consubstanciarão os conteúdos ouvidos em vivência diária?

Acho que hoje, ‘o universo das universidades’ está ficando meramente vazio, sem objetivo; em não fazer da vida acadêmica um ambiente mais prazeroso onde a relação entre conteúdo e aluno se torna comumente distante e não íntima. Os universos onde passaram grandes filósofos, pensadores e escritores está cada vez mais distante de uma possível realidade experimental e uma perfeita escola de aprendizado efetivo.