domingo, 24 de março de 2013

O Vendedor de Queijo



Tamara C.
Tudo aconteceu em uma parada, em um ambiente onde o final de semana diminui o fluxo de pessoas, onde as frotas de ônibus raramente se veem; onde os passos se tornam escassos, onde o clima é tranquilo e a cidade fica mais estável.

Cheguei naquela plataforma 5, no terminal de ônibus,pensando e repensando sobre o que escrever para esse blog,enquanto estava eu,em meus pensamentos,introspectiva, vi um senhor de uma idade já bem avançada,meio que ‘cachigando’ , com uma sacola nas mãos,não sabendo eu,que naquela sacola estaria o seu sustento.

Pediu-me uma informação, primeiro me elogiou dizendo que eu era uma menina sabida, bem estudada e posteriormente pediu a minha ajuda para lhe orientar a pegar o transporte. Sem titubear consentir com a ajuda. Vi aquele senhor dos pés á cabeça,vi unhas bem amareladas e vestutes, vestimentas simples,cabelos grisalhos,dentes em escassez e com o esmalte perdendo a cor; estava na minha frente, uma experiência viva em pessoa.

Conversa vai, conversa vem, a facilidade com que ele conseguia puxar um assunto, com tanta jovialidade e ousadia me animaram. Passei a perceber que alem de um senhor fisicamente não (tão) apresentável, vi um homem aposentado e trabalhador onde naquela ‘’sacolinha’’ (que eu falei no começo) era o seu recurso labutar de todos os dias. Me disse que vendia queijo na praia há treze anos,fiquei imaginando a desenvoltura daquele velho senhor vendedor, e que de domingo a domingo acordava cedo para vender seu sustento.

As suas palavras eram sábias e carregadas de crenças religiosas, falando de Deus,e que apesar de ter sido roubado seis vezes sempre foi restituído,a humildade daquele senhor me surpreendeu, a atitude do nada saber dele, diante da não orientação de pegar o ônibus, se consolidou em um ditado que ele disse: ‘’Qual foi o menino que nasceu sabido’’ ?

Aquela palavra soou como um eco em meus pensamentos,não nos despedimos, vi apenas do outro lado seu ônibus passar e ele na janela, e eu á cogitar na experiência daquele senhor e como ele me mostrou que a vida nos ensina muita coisa e que devemos aprender á aprender, viver cotidianamente labutando pelos nossos objetivos de domingo a  domingo;vi naquele homem,alem de um vendedor de queijo, um conhecedor  da humildade e o exemplo de um  bom personagem para se encaixar  em uma  boa crônica.

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